
COLOU ADESIVO DE CANDIDATO NO CARRO? VEJA SE ISSO PODE TE FAZER PERDER O SEGURO
As Eleições de 2026 estão se aproximando e, com o clima político esquentando, é comum vermos as ruas ganharem novas cores. Muitos motoristas decidem expressar seu apoio colando o adesivo de candidato no carro ou até mesmo realizando plotagens parciais. No entanto, surge uma dúvida frequente no setor automotivo: será que essa demonstração de preferência política pode invalidar a cobertura do seguro ou da proteção veicular?
Calma: colar adesivo não cancela seu seguro
Vamos direto ao ponto que mais gera ansiedade nos proprietários de veículos: o simples ato de colocar um adesivo de campanha no vidro ou na lataria não causa o cancelamento automático da sua apólice. Se você é o dono do carro, aplica um adesivo dentro das regras eleitorais e continua utilizando o veículo para suas atividades habituais — como ir ao trabalho, levar os filhos à escola ou fazer compras —, nada muda na sua relação contratual.
As seguradoras e associações de proteção veicular avaliam o risco com base no perfil do condutor e na forma como o bem é utilizado. O adesivo, por si só, é considerado um acessório estético ou uma manifestação de pensamento. Portanto, não há motivos para pânico se a sua rotina permanecer a mesma. A Tamojunto reforça que a transparência é o melhor caminho, mas um adesivo estático não altera a natureza do risco coberto.
Onde mora o perigo para a sua cobertura?
O sinal de alerta acende quando o veículo deixa de ser um meio de transporte particular e passa a atuar como uma ferramenta ativa de campanha política. O problema não é o adesivo, mas o agravamento de risco decorrente de uma mudança no uso do carro. Se o automóvel passar a ser utilizado com frequência para finalidades que não foram declaradas no momento da contratação, a seguradora pode questionar a cobertura em caso de sinistro.
Confira algumas situações que podem configurar mudança de perfil e uso:
- Participação frequente em carreatas e passeatas;
- Transporte de cabos eleitorais ou equipe de campanha;
- Distribuição de grandes quantidades de materiais e panfletos;
- Uso do veículo como suporte logístico em comícios e eventos públicos;
- Transformação do carro em um "outdoor ambulante" com circulação intensiva em áreas de aglomeração.
Por que a exposição aumenta durante a campanha?
Um veículo que segue uma rotina previsível tem um índice de risco calculado estatisticamente. Quando esse mesmo carro passa a circular em eventos políticos, ele fica exposto a variáveis que não estavam previstas. A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) ressalta que o aumento da circulação em locais com multidões eleva as chances de incidentes que as seguradoras tentam evitar.
Nesses contextos, o veículo está mais suscetível a episódios de vandalismo, danos em carreatas, colisões por distração em meio ao barulho e até furto ou roubo em locais de grande movimentação. Se o seu carro mudou de função e você não informou à sua operadora ou à Tamojunto, você pode enfrentar dificuldades para receber a indenização caso ocorra um problema durante essas atividades específicas.
O que diz a legislação sobre a negativa de sinistro?
Ter um adesivo ou participar de um evento isolado não dá à seguradora o direito de negar o pagamento de forma arbitrária. A Lei nº 15.040/2024, que trouxe atualizações importantes para o mercado de seguros no Brasil, estabelece que para haver uma negativa por agravamento de risco, deve existir uma análise técnica e individualizada de cada caso.
Isso significa que a empresa precisa provar que houve uma mudança relevante no uso do carro e que essa mudança foi o fator determinante para o acidente. Por exemplo, se você tem um adesivo de candidato e sofre uma colisão no estacionamento do supermercado, o adesivo é irrelevante. Porém, se o dano ocorreu durante um confronto em uma manifestação política onde o carro estava sendo usado como suporte, a situação é bem diferente e exige atenção jurídica e contratual.
Regras para propaganda eleitoral em veículos
Além da questão do seguro, é fundamental respeitar a legislação eleitoral vigente para evitar multas pesadas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite a propaganda em carros, mas impõe limites claros para garantir a segurança viária e a equidade entre os candidatos:
- Tamanho dos adesivos: Em vidros, os adesivos devem ser microperfurados e não podem exceder a dimensão total do para-brisa traseiro.
- Adesivos em outras partes: Em outras áreas do veículo (como portas ou capô), o tamanho máximo permitido costuma ser de 0,5m² (meio metro quadrado).
- Gratuidade: A propaganda deve ser voluntária e gratuita. É proibido receber qualquer tipo de pagamento ou vantagem financeira para exibir adesivos de candidatos.
- Segurança: A aplicação não pode obstruir a visão do motorista ou cobrir itens obrigatórios, como placas e faróis.
Conclusão
Em resumo, você pode sim demonstrar seu apoio político sem medo de perder a proteção do seu bem, desde que o uso do veículo permaneça dentro da normalidade declarada. O cuidado real deve surgir se o seu carro virar um "instrumento de trabalho" para a campanha. Na dúvida, a melhor estratégia é sempre consultar o seu corretor ou a equipe da Tamojunto para validar se a sua rotina de carreatas exige um endosso na apólice, garantindo que você rode tranquilo e protegido durante todo o período eleitoral.
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